Trabalho, estudos, filhos, serviços domésticos, orçamentos reduzidos e como se não bastasse: o câncer de mama.
Esta é a dura realidade da mulher moderna. Além de enfrentar uma tripla jornada, precisa estar atenta a este fantasma que, em 2002, tirou a vida de quase 10 mil brasileiras.
Segundo estimativas do IBCC (Instituto Brasileiro de Combate ao Câncer), o câncer de mama é a segunda doença que mais mata a população feminina.
A professora Ana Cláudia de Oliveira, 45, casada e mãe de três filhos, diz que todos os anos procura seu ginecologista e faz uma mamografia. Além disso, ela faz diariamente o exame de toque. Segundo a professora, que perdeu uma irmã vítima da doença há 2 anos atrás, estes simples cuidados poderiam ter salvo a vida de centenas de mulheres, como sua irmã.
Mas as mulheres não estão sozinhas nesta batalha. A ciência e a tecnologia estão na corrida contra o tempo, em busca de novas técnicas de diagnóstico e tratamento deste mal. Graças a isso, mais de 2 milhões de mulheres já conseguiram vencer a doença.
A detecção precoce ainda é um fator que proporciona maiores chances do tratamento ser bem sucedido. Por este motivo, as campanhas realizadas periodicamente (Corrida contra o câncer, Câncer de mama no alvo da moda, Um beijo pela vida, etc.) enfatizam a importância das mulheres acima de 40 anos serem submetidas anualmente a uma mamografia. Este exame pode detectar a existência de um tumor até dois anos antes de ele ser palpável.
Em caso de alguma anormalidade, encontrada durante a mamografia, é necessário recolher parte do tecido suspeito para analisar se o tumor é benigno ou maligno. É nesta fase-chave que as últimas inovações tecnológicas têm sido protagonistas.
Há cerca de 3 anos, a Johson & Johnson, em parceria com o radiologista norte-americano Steve Parker, desenvolveu um equipamento de alta tecnologia, o Mammotome, que permite a retirada de amostras de tecido para biópsia de forma rápida e indolor.
O procedimento, conhecido como mamotomia é realizado por uma sonda especial, um pouco maior do que uma agulha, que é controlada pelo médico, através de um computador.
Orientada pela mamografia ou pelo ultra-som, a mamotomia é eficiente em biópsias de nódulos de até 15 milímetros e é feita sem necessidade de internação. A anestesia é local e a cicatriz quase imperceptível.
O médico e radiologista da URP (Unidade Radiológica Paulista), Aron Belfer, afirma que o Mammotome proporcionou uma melhoria sensível no diagnóstico do câncer de mama, e contribuiu para amenizar o trauma psicológico causado pela doença: "Antes da mamotomia, o tecido era retirado por um procedimento cirúrgico. A paciente permanecia internada por dois ou três dias, era submetida à anestesia e ainda ficava com uma cicatriz bastante aparente", afirmou.
Além disso, como em 80% das biópsias realizadas diagnosticava-se que o tumor era benigno, há de se convir que as cirurgias eram desnecessárias.
Atualmente, já existem cerca de 70 clínicas e hospitais, no Brasil, que realizam a mamotomia. O procedimento é aprovado pelo Ministério da Saúde, pela Sociedade Brasileira de Mastologia e pelo Colégio Brasileiro de Radiologia.
Para as mulheres, aqui fica a dica:
Façam diariamente o exame de toque e ao sinal de qualquer anormalidade, procurem imediatamente um médico ginecologista ou mastologista. A tecnologia de diagnóstico, quando empregada no momento certo, pode salvar muitas vidas.