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3º Setor/ Ong's
Informação para Todos
Rodrigo Herrero

Projetos realizados por diversas Ong's partilham conhecimento, tecnologia e informação para o benefício dos "excluídos digitais"

          A consolidação da internet como novo meio de comunicação foi fator decisivo para um verdadeiro boom no aprimoramento dessa tecnologia e o início de mais um instrumento de desigualdade social: a exclusão digital. Isso porque, com a limitação do acesso à população aos serviços mínimos, como educação, saúde e saneamento básico, há agora também a falta de acesso a informação, principalmente pela internet, e o conhecimento de tal tecnologia. E como essa é a grande ferramenta do novo milênio, torna-se fato preocupante que muitos não saibam manusear minimamente um computador.

           Essas condições fazem com que as organizações não-governamentais (ONG's) que trabalham neste setor tenham aproveitamentos consideráveis no esclarecimento e ajuda aos setores mais carentes da sociedade em ter conhecimento dessa recente ferramenta. São as chamadas Ong's de tecnologia, voltadas para um aspecto básico e latente hoje em dia: a tecnologia da informação.

           É o caso da Socid (Sociedade Digital - www.socid.org.br) que realiza um trabalho muito vasto nesse campo de atuação. Nascida há dois anos, a partir da necessidade de suprir uma carência das Ong's na área da comunicação e acesso a informação, a Socid intensificou seu trabalho na capacitação dessas instituições, através de treinamentos e consultorias, além do desenvolvimento e criação de softwares.

           Ao mesmo tempo são realizados programas mais diretos com a população. Segundo Alexandre Rangel, coordenador executivo da entidade, há o apoio tecnológico ao Grupo Eco, que desenvolve um projeto de capacitação dos moradores do Morro Santa Marta, no bairro do Botafogo, no Rio de Janeiro. Há também na Ilha do Governador uma escola de informática para as crianças, em parceria com uma igreja católica da região.

           Para Rangel, é preciso dar mais que recursos para a população: "Não adianta construir Telecentros, se não capacitar as pessoas e não potencializar esses recursos como instrumento de controle social, inclusive dos gastos públicos, por exemplo". Segundo ele, há muito mais investimentos na aquisição de equipamentos e espaços físicos, relegando a introdução do cidadão a esse novo universo a segundo plano.

           A dificuldade maior é manter-se. Através de contribuições de seus associados e cobrando valores simbólicos para a realização de determinados serviços, a organização pretende num futuro próximo receber financiamentos do governo. "Quando a instituição que vai receber o serviço pode pagar a gente cobra o valor de um décimo, por exemplo, do que custaria na realidade", afirma.

           Outras Ong's, como a REDE (Rede Intercâmbio de Tecnologias Alternativas), de Belo Horizonte, tem seu trabalho voltado a produção agrícola, mas realizando a distribuição da informação adquirida, bem como assistência técnica na produção agropecuária. Incentiva também a pesquisa e experimentos no setor de tecnologias alternativas, buscando suposições inéditas para contribuir com a comunidade local.

           Todas essas ações colaboram com o cidadão comum que não tem possibilidade de ter um computador em sua residência, nem acesso a essa gama tão variada de informação. Mas segundo Alexandre Rangel, é preciso chamar a atenção da população quanto a importância ao que pode ser feito, a partir desse instrumentos: "Tem que mostrar para a pessoa o que pode ser feito com o que ela possui e despertar a consciência aos poucos que é possível e necessário isso", acredita.

           Para Rangel é essencial a discussão em torno da chamada Sociedade da Informação, chamando o governo e as bases para o debate: "Pretendemos conscientizar os atores sociais de diversas áreas para a importância do evento, divulgando-o e capacitando essas pessoas para realizarmos seminários e discutir questões ligada ao tema", diz. A primeira reunião da Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação (www.cmsi.org.br) ocorrerá em dezembro próximo na cidade de Genebra, na Suíça, e a segunda etapa será realizada em 2005, na Tunísia.


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