Quando pensamos nos jogos olímpicos, na NBA ou em Pelé, o que nos vêm a cabeça são heróis, ou melhor, super-heróis. São ícones de uma adoração tão forte, que transcende as barreiras do normal, passando para o âmbito do imaginário. Simplesmente por serem pessoas recordistas de marcas, donos de um vigor e habilidades sobre-humanas.
Mas será que poderei arremessar como Jordan, ou algum dia poderei fazer parte da seleção brasileira de futebol e ainda ser o artilheiro? A resposta de uma certa forma pode ser positiva, se formos transportados para o mundo virtual dos jogos eletrônicos.
Neste universo não há limites, aqui pode-se ser e fazer o que for desejado. Ir além das fronteiras da lógica, viver o sonho.
Desde a última década os jogos eletrônicos têm se tornado uma espécie de esporte. A velha pelada de fim de semana é cada vez mais substituída, principalmente pelos grupos adolescentes, por jogos que simulam partidas de grandes campeonatos. Mas os prediletos são os jogos de aventura e ação.
Atualmente, além do aspecto amador e de entretenimento pertencente a este tipo de equipamento, surge também uma forte tendência ao profissionalismo das práticas competitivas. Uma prova disto reside no crescimento de realizações de campeonatos de videogames.
Segundo Ricardo Quin, 28, gerente de um cibercafé em São Paulo, a demanda de jogadores aumentou bastante nos últimos anos. São pessoas entre 16 e 21 anos, que freqüentam o lugar e organizam torneios. "Tem time que vai jogar no exterior, em campeonatos grandes", diz Quin.
Por exemplo, no ano passado, durante o evento TEC Shopping Fenasoft 2002, ocorreu o Eletronic Game Expo, uma área onde além de comprar e se atualizar, os conhecidos gamers podiam competir.
Esses eventos e campeonatos atribuem à seus jogadores um caráter de esportistas. São disputas como outras quaisquer, contam com ganhadores, prêmios e regras e exigem preparo e reflexos aguçados.
O frenético desenvolvimento tecnológico do século XX deixa uma forte herança. O século XXI é caracterizado pelo evidente fortalecimento da cibercultura. A tecnologia deixa de ser entretenimento ou luxo e passa a ser parte do cotidiano, Os jogos eletrônicos surgem para ilustrar uma nova era, são o xadrez de uma nova geração.