Existe um interesse muito forte, tanto de parte da comunidade acadêmica mundial quanto dos usuários, em tornar a Internet e a aprendizagem altamente dinâmicas e interativas. Criador da worl wide web, o americano Timothy Berners Lee lançou o conceito da WEB Semântica, que entre outras aplicações, torna os atuais mecanismos de busca verdadeiros solucionadores de problemas, indo direto àquilo que o internauta precisa, incluindo detalhes hoje em dia só disponíveis por telefone ou com horas e dias de pesquisa.
Para explicar essa convergência entre o ensino e a Tecnologia da Informação (TI), entrevistamos o Prof. Dr. em Ciência da Computação, Carlos Fernando, Coordenador do Núcleo de Ensino à Distância - NEAD - da Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul), em São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo. Também falaremos de um projeto, por ele desenvolvido, nesta área de TI:
REPORTEMA - O que é o projeto WEL - Web Engineering for Learning - Um Framework para o Desenvolvimento de Objetos de Aprendizagem?
Carlos Fernando - Os "Objetos" são uma área da Ciência da Computação. Cria-se um paradigma, quer dizer, modelos, padrões para a programação e a análise de sistemas, baseados em um conceito. O " objeto" é reusável entre as distintas disciplinas do curso, fazendo com que não se repita todo o processo de sua construção, que é demorado e exige o uso de especialistas, além de softwares especiais.
REPORTEMA - O Senhor poderia nos dar um exemplo?
Carlos Fernando - Um "objeto" tem vários níveis de composição, podemos pensar como um cacho de uvas, onde as "uvas" formam o todo, a fruta. Com pequenos objetos construímos outros mais complexos, isso tudo envolvendo som, imagem e animação. Alguns objetos que forem auxiliar no ensino da matemática podem não servir para ensinar o português, por exemplo, devido a seu design de página, que é de abstração, números. Mas podem ser redirecionados para ilustrações de física, química.
REPORTEMA - Qual é o nível de aceitação dos alunos?
Carlos Fernando - - Facilita a aprendizagem do que é abstrato, com o uso de simulação de figuras feitas a partir de fórmulas, equações; pesquisa de simulações já existentes. Assim o aluno vai usar todos os sentidos, (visão, audição, tato) e quanto mais próximo do real ele estiver melhor para a compreensão.
REPORTEMA - Essa forma de aprendizagem é uma tendência mundial?
Carlos Fernando - É uma solução para as tecnologias. Ainda está bem no início da sua fase
de uso pelas universidades, porém, possibilita uma considerável economia de tempo e de recursos, se instalada em cima de um bom planejamento, levando em conta as dificuldades
dos alunos e a estrutura da instituição.
REPORTEMA - Pode-se fazer uma interação entre a aprendizagem usando projetos como o WEL e a Internet? Qual a linguagem da net mais apropriada para isto?
Carlos Fernando - O XML, que é um padrão para descrever dados e troca de dados, diferente do HTML, que é, ainda, a linguagem de programação mais usada para construir sites. O XML usa ao máximo a capacidade de troca e interpretação das informações, trazendo resultados mais precisos. O HTML tem inúmeras formas de organizar os dados, por isso é difícil fazer uma pesquisa bibliográfica sem que não aparecem dezenas, milhares ou até milhões de referências.
A chamada Web Semântica se apóia em protocolos URI - que especificam uma identidade aos dados dentro e fora da web, e URF - que é uma linguagem e uma gramática para definir uma informação; "ontologias" que são conjuntos de proposições afirmativas, que definem as relações entre conceitos e estabelecem regras lógicas de raciocínio sobre eles; e agentes, softwares que funcionam sem necessidade de controle direto ou supervisão permanente para cumprir demandas estabelecidas por um usuário.
REPORTEMA - No Brasil, quais as universidades além da Unicsul têm trabalhado nesses temas?
Carlos Fernando - Têm algumas iniciativas na USP - Universidade de São Paulo, no ITA - Instituto de Tecnologia Aeronáutica e na Unicamp, essas são as mais conhecidas.
Essa junção do usuário com a net se dá no que chamamos de Sistema Hipermídia Adaptativo, onde podemos, entre outras coisas, configurar a página de Internet de acordo com a nossa seqüência de uso, escolhendo desde a apresentação da mesma até lógica de procura dos arquivos. E ainda, mantermos um banco de dados repositório, que entre um professor e seu aluno mantém listas de exercícios inteligentes que vão se adaptando ao estudante de acordo com os seus erros e acertos, apresentando alternativas de tarefas para ambos os envolvidos. Essas soluções também estarão off-line, ou seja, em cds e softwares pedagógicos.
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