A partir da década de 90, o Brasil iniciou o processo de abertura comercial, que resultou em avanços tecnológicos para acompanhar a competitividade pelo mercado global. No entanto, o número de brasileiros desempregados é cada vez mais alto. As empresas substituíram mão-de-obra, por máquinas que produzem mais, por muito menos. Fato que contribui para a elevada desigualdade social do país, aumentando a miséria que hoje se espalha pelos quatro cantos.
Mas, segundo o sociólogo José Pastore, no mundo atual não existe a menor possibilidade das empresas competirem fora dos avanços tecnológicos. Se a situação do emprego é difícil com tecnologia, seria catastrófica sem ela. "Uma tecnologia pode ter um impacto direto destrutivo e um impacto indireto construtivo - em outro setor da economia. Além disso, uma tecnologia pode destruir empregos hoje, e criar amanhã - na mesma empresa", explica o professor.
Cada tecnologia tem seu próprio efeito. No setor automobilístico, os metalúrgicos são trocados por robôs. Por outro lado, a maior ampliação de emprego ocorre nas indústrias que produzem e cuidam desses "bonecos mecânicos", gerando emprego para os engenheiros, eletricistas e mecânicos de manutenção. O mesmo acontece no setor agrícola, bóias-frias ficam sem trabalho, enquanto tratores e máquinas fazem em poucas horas toda atividade que antes era feita por eles.
No geral, as tecnologias (robôs, softwares, agentes virtuais, sistemas automatizados de organizações) provocam mudanças dramáticas na estrutura do emprego. Mesmo assumindo os resultados positivos, as inovações tecnológicas mais destroem do que geram empregos, sendo que apenas uma determinada máquina desempenha a função de dezenas de pessoas juntas. Por outro lado, na área de telecomunicações, houve mudanças radicais, porém a modernização tecnológica não está sendo perversa. As empresas de telecomunicações passaram a movimentar novos negócios, criando novos produtos e novas oportunidades de emprego direto e indireto.
Para Pastore, uma modificação na legislação trabalhista é de extrema urgência pois, no futuro, haverá poucos empregos fixos e de tempo integral. Prevalecerão, os profissionais que trabalham na base de projetos que têm começo, meio e fim. Uma vez terminados, eles passarão para outros projetos, trabalhando como autônomos, à distância e muitas vezes em casa.
No Brasil, a tecnologia promissora é paradoxal, pois a maioria dos cidadãos não têm acesso às maravilhas tecnológicas. Há milhões de desempregados que, infelizmente, não estão qualificados para serem recolocados no mercado de trabalho. Estatísticas, realizadas no ano 2000, revelam que somente em São Paulo havia 280 mil pessoas interessadas em requalificação profissional - esperando na fila. E os planos do governo mostraram ineficiência para solucionar o problema, pois a verba disponível atenderia apenas duas em cada cem pessoa que procuram trabalho.
Os investimentos em tecnologia podem garantir uma política agressiva de comércio exterior e de crescimento econômico. Alguns tipos de desregulamentação também podem ajudar, como a diminuição de burocracia para criar e expandir pequenas empresas, a redução de impostos, taxas de juros e sistemas de formação de mão-de-obra voltado para o futuro.
Entretanto, é necessário que invistam em educação e priorizem a distribuição de renda no país, considerando que as boas oportunidades de trabalho são destinadas àqueles profissionais que têm o privilégio de estarem se atualizando e se reciclando para as novas exigências da globalização. Mudanças devem ocorrer para que os paradigmas da riqueza, concentrada, e da pobreza, que se prolifera, sejam alterados, proporcionando à todos os indivíduos o direito de exercer a verdadeira cidadania.
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