
Quando pensamos numa biblioteca logo nos vêm à mente aquelas estantes cheias de livros organizados por tema e autor. Estantes e mais estantes livros e mais livros. Imagem que já está mudando.
As grandes bibliotecas do mundo estão investindo alto em tecnologia para conservar seu acervo e facilitar o acesso aos usuários. As obras estão sendo digitalizadas e colocadas na internet, ficando à disposição para o acesso em qualquer lugar do mundo.
A biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, em Washington, é a maior do mundo e iniciou os investimentos nesta tecnologia há três anos. Hoje 85% de seu acervo de livros, jornais, revistas, ilustrações, fotos e outros documentos já se encontram disponíveis no site para consulta. Como a maioria das bibliotecas tradicionais, no Congresso Americano ainda existem os acervos físicos para as pessoas de corpo presente, mas a tendência é que cada vez menos interessados visitem pessoalmente uma biblioteca.
Estes investimentos não somente facilitam as consultas, mas possibilita o acesso a todo o mundo e é um forte aliado do homem contra a ação do tempo. Hoje já é possível dizer que as obras originais de Leonardo Da Vince, Shakespeare, Balzac, Platão e muitos outros foram imortalizados e que qualquer pessoa pode ter acesso a uma dessas obras- primas, muitas vezes acompanhadas de uma análise produzida por um especialista.
No Brasil as duas maiores bibliotecas - Biblioteca Mario de Andrade, em São Paulo, e Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro - também estão investindo alto na digitalização dos seus documentos, e grande parte deles já está disponível na internet. "Há cerca de dez anos, lembro-me de ter visto um manuscrito original de Machado de Assis se desmanchando com a umidade e o manuseio. Lamentei muito e pensei: como seria bom se pudéssemos imortalizar estas preciosidades. Pois bem, hoje já é", diz Ethevaldo Gonçalves bibliotecário há 23 anos na Biblioteca Nacional.
A tecnologia empregada desta forma é sempre muito bem vinda pelos funcionários e governo. O Governo atual do Estado do Rio de Janeiro, de Rosinha Garotinho, apóia e investe veementemente na digitalização de seu material. "O ex-governador Antony Garotinho veio pessoalmente à biblioteca em 2001 quando começamos os trabalhos de digitalização", lembra Ethevaldo.
Todas estas mudanças só foram possíveis em tão pouco tempo com o desenvolvimento da microeletrônica, dos softwares, das fibras óticas e, acima de tudo, da união da telecomunicação, computadores e multimídia, permitindo que milhões de pessoas em todo o mundo possam ter acesso as imagens, arquivos e fontes de informação que antes estavam restritos a uma minoria, formada principalmente pelas Forças Armadas, cientistas e universitários.
Diante destas perspectivas, o bem mais precioso da era da informação, sem dúvida, é o conteúdo. Não somente o que está armazenado nas bibliotecas, mas tudo o que está nos arquivos dos jornais, revistas, do rádio e da televisão.
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