Reportema - Site experimental de jornalismo.
Reportema
De 10 de Agosto à 25 de Agosto

Capa
Editorias
Política
Entrevista
Educação
Cultura
3º Setor/Ong's
Economia
Internacional
Saúde
Esporte
Colunas
Voz da Experiência
Controle de Qualidade
Artigo
Comportamento
História
Humor
Controle de Qualidade
Telefonia em Pauta

Rodrigo Herrero

Cadernos de tecnologia dos jornais são cobertos pelas idas e vindas das operadoras de telefone no Brasil, com abordagem bem mais política e econômica do que propõe o título da editoria

          Quando se fala em tecnologia, um dos assuntos mais recorrentes na grande imprensa, principalmente nos jornais de maior circulação é a telefonia, seja fixa, móvel e até mesmo na internet. Esta última podemos desconsiderar pois é muito óbvio que, por ser uma tecnologia recente e restrita a parcelas mínimas, porém importantes, da população mundial, sempre estará em debate e constante renovação. Por estes motivos daremos atenção especial as telefonias fixa e móvel, até pelos momentos distintos que o setor atravessa no Brasil.

           Após a privatização do controle das teles o país viveu um verdadeiro boom: o preço das linhas ficaram mais baratas, aumentando e muito o número de cidadãos com aparelho, a internet ganhou terreno e os celulares viraram moda e peça vital na ostentação de poder aquisitivo, mesmo para pessoas de condição financeira precária. Além disso, os preços das tarifas caíram pois a concorrência aumentara, gerando um clima de satisfação entre todos.

           Com o passar do tempo e principalmente com a falta de investimentos das multinacionais estrangeiras neste ramo, tal demanda causou transtornos e falhas, em particular no caso do funcionamento de algumas empresas, como a Vésper. As taxas voltaram a ser altas e a concorrência ficou apenas nas propagandas televisivas, impactando muito pouco na conta que chega todo o final do mês.

           O que se vê hoje é o governo tentando segurar a elevação dos preços das tarifas, quebrando contratos abusivos assinados pela gestão anterior, que permitiram um aumento sem precedentes. Algo semelhante acontece com a eletricidade e outros serviços básicos que deixaram de ser responsabilidade do Estado, após as seguidas e devassas privatizações da década de 90.

           E as notícias sobre estes aspectos não param: a operadora de telefonia móvel Oi, do grupo Telemar, anunciou um prejuízo de R$348,4 milhões no segundo trimestre deste ano. Já a Siemens Mobile, fabricante alemã de aparelhos de telefonia, confirmou a demissão de mais de 2.300 pessoas devido a queda na demanda dos celulares no primeiro semestre de 2003.

           Por outro lado a empresa de telefonia fixa GVT anunciou esta semana que investirá nos próximos meses R$ 3 bilhões no Brasil. Cerca de R$ 2,5 bilhões será colocado no eixo Rio-São Paulo-Minas, com o intuito de competir com a Telefonica e Telemar. A GVT já atua na região Sul, Centro-Oeste e parte da região Norte.

           É sempre assim: as novas empresas que chegam nos mercados investem milhões na esperança de obter grandes lucros num futuro próximo. Certamente isso não vinga num país onde a renda per capita gira em torno de um dólar diário para boa parte da população, sendo que o salário mínimo está muito abaixo dos gastos necessários. Quando a situação aperta para as teles, os preços das tarifas aumentam, ao mesmo tempo, seus serviços deterioram, causando problemas e descontentamento nos seus usuários.

           Enfim, muito do que acontecia antes na estatal Embratel prossegue, só que com um grau maior de incerteza para o consumidor, por conta do aumento do poder de decisão das empresas telefônicas. O problema, portanto, não está em privatizar ou estatizar empresas e sim na estruturação das mesmas, se adequando ao país em que presta serviços, e dar as condições corretas para funcionamentos desses serviços, incluindo a descriminação das chamadas locais nas contas.

           Tudo isso também prova o interesse real das editorias de tecnologia dos jornais impressos em colocar a telefonia na pauta diária de nossa sociedade. Não tem muito a ver com o significado da palavra tecnologia, e sim com o aspecto político e econômico que interfere no país. Bem mais do que discutir os investimentos tecnológicos na telefonia, as matérias sobre tecnologia surgem como um suporte para outros temas serem debatidos, como demonstrado por esta coluna.


Expediente
Ana Paula Barbosa
Daniel Vicente
Daniela Caldeirinha
Evelyn Lima
Fabrízio Albuja
Halícia Alessandra
Katiane Garcez
Rita Escolano
Rodrigo Herrero
Thiago Vieira
"Institucional"
Fale conosco
Quem somos
Objetivo