Esta colunista não vai mais ao banco. Não pega mais fila, não reclama mais da demora no caixa, não fica mais irritada por ter que despejar sua bolsa no compartimento que fica ao lado da porta giratória, só porque carrega consigo a chave de casa, que é barrada pelo detector de metais. Esta colunista faz todas suas transações bancárias (que não são muitas) via internet e sabe que não é a única a optar por isso.
Quem não confia na rede, apela para as máquinas de auto atendimento. Não há mais tempo para ir ao banco e o pouco tempo que há é gasto com outras coisas, como o lazer, por exemplo, que já é escasso. E assim o ciclo da vida moderna persiste. Hoje, a escolha que as pessoas têm sido forçadas a decidir é : se gastam seu precioso tempo nas tarefas, ou se vão a um restaurante, cinema, teatro, entre outras opções.
A arte também está on-line. É possível visitar museus e mostras inteiras pela internet, assistir a filmes, musicais, ler livros na tela do computador. Não que esta opção dê para o leitor/espectador a mesma sensação e prazer do que as formas tradicionais de apreciar a arte, mas o fato é que ela já está ao alcance.
A falta de tempo, aliada a maior exigência profissional e às novas tecnologias, que permitem fazer quase tudo remotamente, acabam por afastar as pessoas. Simultaneamente, como o ambiente web virou um lugar comum, onde "todos" estão, passou a ser uma alternativa também para estabelecer laços, criar amizades, relacionamentos amorosos e até formar família. É preciso admitir que a internet é somente o primeiro passo para quem deseja criar um vínculo afetivo - ninguém casa via e-mail! Mas já ouvimos dizer, um bom par de vezes, nos meios de comunicação, que casais se apaixonaram via web e depois casaram-se. Não nos cabe aqui julgar a veracidade desses sentimentos, mas nos parece claro que pessoas procuram pessoas, onde quer que elas estejam, mesmo que elas estejam em um ambiente virtual, invisível e não palpável.
Provavelmente, o tipo de comunicação da sociedade atual mude de patamar com o desenvolvimento da rede: pode ser que a comunicação pela via virtual vire "regra social" através das mudanças de hábito. Ou pode ser que não. Pode ser que as mudanças de hábito não ultrapassem os limites daquilo que é, de fato, mais prático e conveniente fazer pela internet e não substituam nunca os olhares, o bate papo do bar de verdade, com cerveja de verdade. Esta colunista torce pela segunda opção e definitivamente confia mais na internet para fazer uma aplicação bancária do que para arranjar um marido.